"Lembras-te, meu amor,
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para fora do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para fora do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Ouvir-nos conversar?"
"E, além, o sol doirado
Morria, conhecendo
A noite que deixava."
.........
"Hora em que a flor medita
E a pedra chora e reza,"
"Tudo, em volta de nós,
Tinha um aspecto de alma.
Tudo era sentimento,
Amor e piedade.
A folha que tombava
Era alma que subia…"
Pequenos excertos de um grande e belo poema de amor de Teixeira de Pascoaes, talvez o mais belo que alguma vez em língua portuguesa se escreveu. Quem mo deu a conhecer - recitou-mo, numa tarde, no Adro, de fio a pavio (e como ele é longo!) sem trocar uma única palavra que fosse. Com alma, com uma alma e sentimento que só ele sabia dar às palavras que dizia - quem mo deu a conhecer, dizia, foi o Mário Sampaio. O meu primo Mário. O Mariozinho. Quem mais poderia ser? Só uma alma grande e simples como a dele. Se alguém era capaz de se emocionar com o Belo, era ele. Sabia-o descobrir nas mais pequenas coisas. Às vezes numa baforada de um cigarro que fazia subir ao céu...
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