Vista

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Vista do Senhor da Capelinha

4 de agosto de 2014

Aquela casa branca batida pelo Sol


A minha aldeia não é a mais bonita de todas as aldeias.
Mas de todas as aldeias que conheço (mais aquelas que o meu ignaro olhar desconhece),
A minha aldeia é a mais bonita.
Não fosse ela minha e daqueles que me antepassaram
Eu sou o resultado de todos eles.
E de todos eles a minha aldeia é um pouco o resultado.


Aquela casa branca batida pelo Sol, com um varandim em ferro forjado, ao cimo do largo do Adro, não é apenas uma casa branca batida pelo Sol com um varandim em ferro forjado ao cimo do largo do Adro.
Aquela casa branca batida pelo Sol, com um varandim em ferro forjado, ao cimo do largo do Adro, foi casa do avô, do avô do avô que nunca conheci e de todos os irmãos do avô que nunca conheci.
Naquela casa branca batida pelo Sol, com um varandim em ferro forjado, ao cimo do largo do Adro, forjou-se um lado da história sem história da minha família.
 
A minha aldeia ilumina-se uma vez por ano como nenhuma outra.
A rua que vem da Fonte, formosa
A torre da Igreja, altaneira
O Adro, palco alevantado do povo,
Iluminam-se!
Iluminam-se os rostos dos rapazes e raparigas
Que «têm boca de cereja» e «que dá vontade de lha comer»
O Senhor da Capelinha ilumina-se também.
E lá do alto a todos ilumina!


A luz do Sol,
As colchas nas janelas,
As colcheias e semicolcheias das bandas em procissão dão à minha aldeia,
A mais bela de todas as aldeias,
A alegria mais funda de todas as alegrias – a Festa da aldeia.
«Cantai, cantai raparigas. Folgai, folgai rapaziada»!

Manuel do Edmundo-Filho

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